Faber-Castell since 1761
Introdução Geral
Você está em:   Home  |  Professores  |  Na sala de aula  |  Educação de Jovens e Adultos
Educação de Jovens e Adultos

eja

A Educação de jovens e adultos (EJA) em princípio constituiu-se como a modalidade de ensino nas etapas de alfabetização, ensino fundamental e médio, direcionada a jovens a partir de 15 anos e adultos que não completaram os anos da educação básica. Esse segmento foi regulamentado pelo artigo 37 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (a LDB, ou lei nº 9394.3 de 20 de Dezembro de 1996).

Criada pelo Decreto Presidencial nº 4.834/20034 para tratar exclusivamente da alfabetização de jovens e adultos, a Comissão Nacional de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos (Cnaeja) é composta por 17 membros, dos quais quatro são representantes dos governos federal, estaduais e municipais, um representante da UNESCO, um das instituições de ensino superior e 10 representantes da sociedade civil (fóruns de EJA, movimentos de alfabetização, trabalhadores da educação, movimentos sociais do campo, de indígenas, afrodescendentes e juvenis, bem como organizações não governamentais dedicadas à questões da educação e do meio ambiente).

Infelizmente a realidade atual da EJA no Brasil consta um alto índice de evasão, estrutura física inadequada, dificuldade de acesso aos locais de estudo e programas ineficazes. Apesar das mudanças e importantes conquistas adquiridas nos últimos anos, ainda há muitos desafios a serem superados nessa modalidade de ensino.

O próprio governo ainda busca uma alternativa mais eficaz para atender esse público e nos últimos anos tem criado uma variedade de programas, como o Brasil Alfabetizado, Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem) e Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

Hoje em dia sabemos que, além do ensino básico, as EJAs também têm como desafio a preparação dos alunos para o mercado de trabalho.

O mundo está em constante transformação e a aprendizagem contínua é importante em todas as etapas da vida, não somente na infância.

Assim, os professores que atuam nesse setor também precisam de formação e prática diferenciadas. Seu papel, além de preparar os estudantes para o futuro, como ocorre com as crianças, deve abordar também tudo aquilo que faz parte da vida e do cotidiano de seu aluno jovem e adulto. Ele deve ter um olhar ainda mais sensível e saber lidar com a heterogeneidade do grupo que muitas vezes traz alunos que retornam à vida escolar com o objetivo de resgatar um recurso perdido anteriormente para uma possível progressão profissional atual, mas que ainda possui uma visão tradicional do ensino. Além disso, na mesma classe encontram-se jovens que possuem objetivos diferentes dos mais velhos ou adultos, e até mesmo entre si, pessoas que querem aprender não simplesmente por aprender, mas para ter uma vida mais digna, para desenvolver sua autonomia, conseguir ensinar o dever de casa aos filhos, realizar coisas simples do dia-a-dia e também tornar-se um cidadão politizado. Há ainda outras que estão por determinação de seu empregador etc. Tudo isso é um enorme desafio para o educador.

Na classe da EJA, é vital a importância de o professor ser o maior incentivador de seus alunos, mostrando a eles sempre a importância de buscar o conhecimento e de compreender seus direitos como cidadãos, para que venham a se tornar indivíduos autônomos e conscientes.

O Educador da EJA também precisa de muita sensibilidade para compreender seus alunos e seus contextos sociais, pessoais e religiosos.

Diante de tantos desafios e sem muito investimento público, o professor de jovens e adultos deve buscar promover uma ação pedagógica inovadora a partir da qual professores e alunos encontrem uma maneira efetiva para seu desenvolvimento e melhor atendimento.

Paulo Freire, importante educador que teve imensa influência na criação de políticas públicas voltadas à educação de jovens e adultos, disse sobre o tema: “…a prática educativa deve desafiar os alunos a construírem uma compreensão crítica de sua presença no mundo…” (Freire, 1997).

Encarar o ato de aprender pela importância com que é revestido e considerar a aprendizagem mais importante do que o conhecimento buscado, leva o professor a encarar melhor sua presença e função em sala de aula.

No Brasil, a EJA tem sido associada à escolaridade compensatória para pessoas que não conseguiram ir para a escola quando crianças, no entanto, é preciso ir além. A EJA também deve se pautar nos 4 Pilares da Educação apresentados anteriormente em nosso espaço de Sala dos Professores. Além de estar presente no “Aprender a Conviver”, dado que as experiências de vida adquirida pelos alunos mais velhos contribuem positivamente e devem sempre ser consideradas, o aprender a fazer é o primeiro passo para construir e desenvolver as competências.

Também há o desafio da participação e da inclusão que prevê o atendimento das demandas de aprendizagem da vasta diversidade de grupo, já que todos têm direito à Educação.

A Educação tem de acompanhar as mudanças que estão acontecendo e interagir com elas. A EJA deve ser encarada em uma perspectiva mais ampla, dentro do conceito de Educação e aprendizagem que ocorre ao longo da vida.