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Introdução Geral
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Como educar uma geração que não acredita na educação

mat1O educador Paulo Freire, falecido em 1997, já havia nos alertado sobre as transformações pelas quais a pedagogia passaria a partir da adoção de uma educação colaborativa: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”.

As chamadas gerações Y (alunos nascidos na década de 80) e Z (alunos nascidos na década de 1990) têm exigido das escolas uma revolução nas metodologias de ensino. São tantas as ferramentas de aprendizagem que estão à disposição que a nova escola deve se colocar como uma instituição na qual alunos e professores produzem em conjunto, empregam ferramentas apropriadas para a tarefa e aprendem a ser curiosos e criativos.

São muitos os professores que enfrentam o enorme desafio de lidar com esses jovens que nasceram em um mundo dominado pela tecnologia, cresceram em contato com diferentes culturas, hábitos, realidades e, em alguns casos, acreditam pouco na educação e sua importância para o sucesso na vida pessoal e profissional.

Alguns alunos já não veem a educação como agente fundamental para a vida, além de terem pouca paciência para abordagens longas e demoradas ou que demandam análises críticas e exijam posicionamentos. Convivemos com uma geração de alunos que busca reconhecimento e gratificação imediatos e tem grande dificuldade em lidar e se adaptar a regras rígidas.

E aqui encontramos mais um desafio: quando o aluno chega ao ambiente escolar se depara com um local caracterizado por certa hierarquia, com formalidades e normas a serem seguidas, com regras que orientam desde o vestuário a ser usado ao linguajar adequado. Nesse mesmo ambiente o acesso à internet e as redes sociais são pouco aceitos já que atrapalham o desenrolar das propostas didáticas.

Dada essa nova realidade, são muitos os estudos que têm trazido importantes contribuições sobre uma atuação construtiva para essa nova geração. Alguns deles citam seis pontos fundamentais para os alunos da geração Z manterem-se motivados com a educação:

  • Voz: a geração Y quer ser ouvida, quer que sua opinião seja respeitada. Pesquisas apontam que 84,9% dos jovens acreditam que o poder deve ser coletivo e 84,3% buscam um ambiente de estudo justo, no qual suas ideias e opiniões sejam ouvidas.
  • Participação: querem fazer parte de algo que tenha significado, algo que tenha impacto sobre as pessoas, o ambiente e a sociedade. Pesquisas apontam que 79,7% dos jovens se consideram idealistas e sonham com um mundo mais justo.
  • Significado: os alunos dessa geração Y se importam com mais coisas do que somente o lado financeiro da vida. Querem que a escola seja responsável socialmente e ambientalmente.
  • Desenvolvimento pessoal: os alunos da geração Y querem aprender as ferramentas, tecnologias e competências necessárias para executar suas atividades atuais, aquilo que é útil desde o momento atual e não somente para o futuro.
  • Reconhecimento: professores não podem esquecer que educar envolve a constante motivação de seus alunos.

A partir dessa reflexão, é preciso entender que as mudanças trazidas pela geração Y não são passageiras e cada vez mais as escolas e os educadores precisarão se adaptar a essa geração vibrante, conectada, inquieta e imediatista.

Assim, a escola e a educação precisam correr atrás de atualizações para que os alunos voltem a se interessar pelo conhecimento global, e perceber que todos eles estão interligados com as ações do dia a dia.

É preciso aceitar e investir em uma nova postura orientada para a Sociedade do Conhecimento, que busca promover nos alunos engajamento e motivação para que percebam o aprendizado como uma ação continuada e fundamental para a vida.

A evolução da Sociedade do Conhecimento nos leva a outra citação de Paulo Freire: “Ninguém ignora tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso, aprendemos sempre”.