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Introdução Geral
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Construindo o aprendizado com os alunos

Materia3Ao longo do tempo, em nossa sala dos professores, temos refletido e debatido sobre a importância de uma educação com foco em aprendizagens significativas e contextualizadas, com alunos participativos.

A expressão “dar aula” é fruto da era do “mundo pronto”. Mas no contexto do mundo em que vivemos que é inacabado e está em constante mudança, se pensarmos bem, nós educadores construímos a aula junto com os alunos. O educador Paulo Afonso Caruso Ronca (1996) fez um questionamento bastante relevante sobre essa situação: “Se o papel do professor é dar aulas, enquanto ele dá a sua aula, o aluno faz o quê?”.

Conforme temos reforçado ao longo dos nossos textos, o aluno precisa ser o personagem principal de sua aprendizagem e ser envolvido nos enredos que constroem os ensinamentos e as aprendizagens na educação escolar. Dessa maneira, dificilmente ele se cansa ou se frustra. Isso porque nessa nova proposta mais participativa não é preciso mantê-lo totalmente quieto, prestando atenção em algo que, para ele, muitas vezes é desnecessário aprender e também desinteressante.

A seguir, algumas sugestões de abordagens construtivas, educativas e significativas dentro de nosso contexto social e educativo atuais.

1 – Incite, não informe
Uma boa aula tem a participação de todos e sempre é finalizada com uma ação concreta. Por isso, ao planejar suas propostas, pense sobre o que quer compartilhar com os alunos e como pretende incitá-los a se interessarem pelo conteúdo. Procure ao redor e tente descobrir como e o que prende a atenção de diferentes pessoas, e também conhecer estratégias de outros professores e profissionais para prender a atenção de seus alunos.

Uma ideia, por exemplo, é criar uma manchete de jornal ao invés de um título para uma aula. Assim, você pode pensar em diferentes abordagens para um mesmo tema e chamar a atenção de diferentes alunos. Por exemplo, em uma aula de matemática, que tal “intitulá-la” Números Primos representam a minoria no congresso, mas 68% dos outros algarismos são contra essa participação. Ou então chamar a atenção dos alunos em uma aula de química convidando-os para o debate: “Ferro diz que relacionamento com oxigênio está corroído e afirma: Gás Nobre coisa nenhuma”.

2 – Conheça os alunos
Para conseguir a atenção e despertar o interesse dos alunos, é preciso conhecê-los. E conhecê-los vai além de saber seus nomes. É preciso saber e entender onde moram, como vivem, de onde vêm, que “bagagens” trazem, quais seus interesses e preferências e assim ir compreendendo cada vez melhor suas personalidades.

3 – O princípio e o fim
Uma boa impressão inicial e um “gostinho de quero mais” no final motivam e incentivam os alunos a participarem das propostas e a se comprometerem com as atividades futuras. Assim, invista em uma introdução interessante ou convidativa e finalize as propostas com uma questão a ser respondida ou uma descoberta a ser conquistada.

4 – Simplifique
Uma das regras de ouro de uma boa aula é simplificar. Escrever e falar de modo simples e direto, dividindo as informações em blocos, pode facilitar a melhor compreensão dos conceitos abordados. Mas atenção, isso não significa suavizar a matéria ou deixar de mencionar conceitos potencialmente “desafiadores”.

Exemplos e analogias costumam ser bons recursos para auxiliar os alunos. Por exemplo: na reunião de condomínio uma senhora reclamava que sua TV não funcionava direito. Explicaram-lhe que era necessário sintonizar em UHF. Ela então perguntou qual a diferença entre UHF e VHF. Um vizinho prestativo passou a discorrer sobre diferenças na recepção, como uma transmissão poderia interferir na outra, nas características geográficas. Ela continuava com dificuldades em compreender até que um garoto resumiu a questão em cinco letras mais conhecidas por ela: “AM e FM.” E então ela finalmente compreendeu o conceito.

5 – Inovação
Segundo estudos, o impacto de uma aula é conquistado com estímulos visuais (55%), ou seja, como você se apresenta, anda e gesticula; com estímulos vocais (38%), isso é como você fala, sua entonação e timbre; e apenas 7% com conteúdo verbal: o assunto sobre o qual você fala.
Assim, é praticamente inútil apoiar-se somente na matéria, por mais expert que o professor seja no tema. O indicado é passar a mensagem de modo interessante, sempre buscando aquilo que atrai os alunos de cada turma.

6 – Os desafios
Grande parte do sucesso da aula depende de como o professor lida com as situações inesperadas. É muito comum se planejar e na hora da prática deparar-se com algum imprevisto. Seja a falta de algum recurso, bagunça do grupo ou o esquecimento de algum material. É importante manter a calma e domínio da situação e quem sabe até encontrar uma solução criativa para solucionar a questão com a própria turma.

7 – A prática leva à “perfeição”
Sua aula, como qualquer outra ação, melhora com o treino. Lembre-se de que é preciso mais do que conhecimento na matéria para que os alunos realmente se interessem pelo conteúdo. Assim, vale praticar as atividades antes de apresentá-las aos alunos.