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Introdução Geral
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Dia do Cego: didáticas e materiais facilitadores

cegoDia 13 de dezembro celebra-se o Dia Nacional do Cego, data criada em 26 de julho de 1961 por Jânio Quadros, na época Presidente da República.

A proposta de criação desta data foi incentivar o princípio de solidariedade humana, mundialmente estabelecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos, para se preservar o direito fundamental de igualdade entre todos dentro da mesma sociedade, sem discriminação e distinção a qualquer nível.

Anteriormente abordamos o tema da inclusão na educação e o quanto desafiadora ela tem se apresentado na prática.

Hoje, vamos aprofundar um pouco na reflexão sobre o atendimento aos alunos cegos ou com algum grau de deficiência visual.

Segundo dados do Inep/MEC, o Brasil tem cerca de 70 mil alunos com essa necessidade especial matriculados nas Escolas, e a grande maioria, apesar das dificuldades, conquistam ótimos resultados educacionais saindo do Ensino Médio tão aptos quanto qualquer outro aluno.

A inclusão escolar para os cegos é possível e passível de ser bem sucedida, desde que a escola oportunize as instalações, os materiais e preparo dos professores e profissionais para atendimento educacional adequado, especializado e necessário.

O aluno cego ou com baixa visão precisa, necessariamente, de materiais específicos para que consiga aprender e isso inclui livros e atividades em braile e a máquina especial de escrita em braile. Para os que apresentam baixa visão, cadernos com pautas largas são necessários.

Os auxiliares de inclusão também podem contribuir para o bom aproveitamento dos alunos especiais.

Existem ainda as salas de recursos de sua escola, um espaço com materiais especiais e profissionais especializados, onde ele pode resolver dúvidas e receber auxílio.

Ter alunos cegos em sala de aula é também uma boa oportunidade para se trabalhar com o grupo um tema também bastante reforçado em nossos textos: a empatia. Normalmente o deficiente visual tem na audição um recurso muito importante para compreender melhor aquilo que está sendo apresentado e, por isso, o silêncio em sala de aula torna-se muito importante. O grupo deve se solidarizar para manter o tom das discussões e debates adequados para respeitar os alunos/colegas especiais.

Claro que, mesmo não tendo alunos com necessidades diferenciadas em sala de aula, é sempre importante chamar a atenção dos alunos e do grupo para esses desafios, para a convivência harmônica e a solidariedade.

Muitas vezes, a boa vontade do professor e solidariedade dos colegas e comunidade escolar não basta para atender adequadamente aqueles alunos que apresentam deficiência visual. Por isso, o Ministério da Educação disponibiliza um material de ensino a distância para formação de professores para o atendimento educacional especializado. Nesse material é possível ter acesso a informações sobre avaliação funcional da visão, o desempenho visual na escola, recursos ópticos e não-ópticos, recomendações úteis, alfabetização e aprendizagem, espaço físico e mobiliário, comunicação e relacionamento, sistema braile, atividades, avaliação, recursos didáticos, modelos e maquetes, mapas, sorobã, livro didático adaptado, livro acessível e recursos tecnológicos.

Esse tipo de informação auxilia os professores nos desafios da inclusão do deficiente visual.

Já pensaram que os conteúdos escolares, a linguagem, comunicação, as diferentes formas de expressão cultural e artística constituem-se de imagens e apelos visuais, o que privilegia a visualização em todas as áreas de conhecimento? Estamos envoltos por símbolos gráficos, imagens, letras e números e por isso os portadores de limitações visuais necessitam dessas organizações especializadas, e não devemos negligenciá-las. É também preciso que o professor esteja atento para não confundir necessidades com concessões desnecessárias, afinal estamos falando em inclusão, o que, como citado no material do MEC, nos remete ao tratamento “igualitário” no que diz respeito à capacidade e vontade de aprender, aos interesses, à curiosidade, motivações, necessidades gerais de cuidados, proteção, afeto, brincadeiras, limites, convívio e recreação, dentre outros aspectos relacionados à formação da identidade e aos processos de desenvolvimento e aprendizagem. Devem ser tratados como qualquer educando no que se refere aos direitos, deveres, normas, regulamentos, combinados, disciplina e demais aspectos da vida escolar. Devemos ficar atentos aos nossos conceitos, preconceitos, gestos, atitudes e posturas com abertura e disposição para rever as práticas convencionais, conhecer, reconhecer e aceitar as diferenças como desafios positivos e expressão natural das potencialidades humanas.

O deficiente visual necessita de um ambiente estimulador, de mediadores e condições favoráveis à exploração de seu referencial perceptivo particular. No mais, assim como todos os alunos, constrói suas capacidades e competências.

Exemplo de sucesso da inclusão de deficientes visuais

A Escola Comunitária Nova Esperança, mantida pela Fundação do Caminho, em convênio com a Prefeitura de Alagoinhas, desenvolve há 12 anos um trabalho de inclusão de surdos, cegos, pessoas com baixa visão e surdo-cegos, com alunos sem essas deficiências.
Colocando os alunos em contato e promovendo essa convivência, a experiência da Fundação mostra e reforça que a inclusão de cegos e de pessoas com baixa visão na mesma sala de aula com alunos sem essas deficiências é proveitosa para ambas as partes, desde que os alunos com necessidades diferenciadas tenham acesso aos recursos complementares adequados.