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Introdução Geral
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Escrita e redação

redaçãoA prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014 teve como tema “Publicidade infantil em questão no Brasil”, que evocava a Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), aprovada em abril de 2014, que prevê o fim da veiculação de propagandas voltadas a crianças menores de 12 anos por considerá-las abusivas. Apesar de não ser um tema óbvio, a ideia era que os candidatos elaborassem uma análise critica, incluindo sugestões de alternativas para a questão abordada. A proposta de redação trouxe um texto jornalístico que discutiu se a publicidade infantil deve ser proibida no Brasil, um infográfico sobre a publicidade para crianças no mundo e um texto sobre a criança como o consumidor do futuro.

Dos 5,9 milhões de candidatos, 529 mil tiraram nota zero na redação. Segundo análise dos resultados, alguns por terem fugido ao tema, outros por terem copiado trechos dos textos motivadores (o que é proibido) e outros por comentários ofensivos.

O fato foi considerado alarmante por muitos educadores e especialistas e levantou questões sobre as reais razões para esse fracasso na produção escrita dos candidatos que acabam de concluir o Ensino Médio.

Será que esses candidatos padecem dos males do analfabetismo funcional? Ou seria a falta de preparo com uma boa base de leitura e escrita que os deixaram incapazes de elaborar algum raciocínio, mesmo que elementar? E por que será que a redação ainda é uma das provas mais temidas pelos candidatos? Por que tantos alunos não conseguiram dissertar sobre um tema atual e pertinente, e que permitia discorrer sobre diferentes vertentes? Por exemplo, o candidato podia optar por abordar a questão da cidadania e a atuação do cidadão, individual e coletivamente, em prol da qualidade de vida da sociedade. Ou então poderia analisar a questão da comunicação e seus limites no que se refere à liberdade de expressão e a proteção as crianças. Dentre tantas outras possibilidades, o fato é que o tema da redação não foi difícil, bastava argumentar. Mas será que os alunos são incentivados a ter esse pensamento crítico e poder de argumentação? Indo ainda mais além, será que nossos alunos, que vivem em meio a tecnologias e pouco são incentivados a leitura e escrita à mão, são capazes de compreender e interpretar diferentes textos impressos e expressar com clareza e por escrito sua visão critica? Os Educadores promovem atividades em sala de aula e no cotidiano escolar que não só preparam os alunos para exames e provas, mas também despertam neles esses saberes tão essenciais em nossa vida?

Sabemos que a Educação e Sistema de Ensino brasileiro vivem tempos sombrios em relação à qualidade e, apesar das estatísticas apontarem o crescimento em números da educação básica, é certo que esses não correspondem às expectativas no que tange à qualidade.

De fato a escrita cursiva, num mundo cada vez mais conectado, tem se tornado um exercício raro, até mesmo para os professores. Hoje vivemos em meio a um padrão da comunicação contemporânea no qual cartas, cartões e até mesmo bilhetes e recados dão espaço para os computadores, mensagens instantâneas, correspondências eletrônicas e redes sociais.

E muitos podem pensar que com tantas novas habilidades necessárias, passar um tempo desenhando letras, treinando a caligrafia, produzindo textos e conteúdos cursivos é um absurdo. Claro que devemos proporcionar uma educação realista aos nossos alunos, afinal de contas, devemos promover suas capacidades pensando no mundo em que vivemos e no que eles encontrarão em suas vidas cotidianas. Mas não podemos esquecer que a escrita cursiva é muito mais que um meio de comunicação e registro. Ela é também um exercício cerebral.

Escrever à mão trabalha coordenação motora fina (praxia fina) e exercita regiões cerebrais que ficam esquecidas nesta era dos teclados. Aliás, os estudos são unânimes ao afirmar que o exercício de atividades manuais, incluindo a escrita, inibe quase todos os tipos de demência na fase senil. Nosso cérebro precisa ser constantemente “desafiado” e estimulado e essas atividades manuais que parecem simples ou desnecessárias, como a da escrita cursiva, não podem se tornar negligenciadas.

Assim, vemos que é fundamental trabalhar em sala de aula questões relacionadas à leitura, interpretação de textos, escrita e produção textual.

Aqui em nossa sala dos professores já apresentamos reflexões sobre a importância da escrita à mão (colocar link) e também propostas para aplicar em sala de aula (colocar link para matéria Vamos fazer um diário) .

Ao longo dos meses vamos apresentar novas propostas para o trabalho com Ensino Infantil, Fundamental, Médio e Pré Vestibular. Assim, poderemos ajudar a preparar melhor nossos alunos que prestarão vestibulares diversos no meio do ano letivo e também (principalmente) vamos incorporando essa prática em nosso dia a dia, desde a Educação Infantil, para aprimorar a capacidade dos alunos de ler e produzir textos coerentes e com competência textual e discursiva, sendo ele digitado ou escrito à mão.