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Introdução Geral
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Mais sobre inclusão

InclusãoAproximadamente 24,6 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de incapacidade ou deficiência física ou mental (dificuldade de enxergar, ouvir, locomover-se, entre outras). Desse total, 4,3% (1.057.800) são crianças e adolescentes de até 14 anos.

A legislação brasileira estabelece que a educação da pessoa com deficiência seja realizada, preferencialmente, na rede regular de ensino, o que denomina a inclusão.

Pensando em uma educação inclusiva, a escolarização deve acontecer na classe comum, com raras exceções para aqueles alunos que, em função da gravidade da deficiência, não podem se beneficiar dessa modalidade de atendimento.

Porém, de acordo com as pesquisas do Censo Escolar, apenas 566.753 alunos com deficiências (visual, auditiva, física, mental, múltipla, altas habilidades, condutas típicas e outros) matricularam-se em unidades educacionais.

Nem sempre o professor que recebe esses alunos tem disponível a infraestrutura e preparo necessários para o atendimento adequado dos mesmos.

São vários os obstáculos que impedem a efetivação da inclusão educacional. Desde o despreparo dos educadores, limitações e falta de adequação dos espaços físicos, os problemas da educação pública, a falta de recursos até a ausência de articulação entre a educação especial e o ensino comum.

É preciso integrar ambas em uma mesma educação geral partilhando ações pedagógicas.

A pessoa com deficiência ainda é percebida de modo distanciado da vida das outras pessoas e, por isso, necessitam de condições especiais para viver e, consequentemente, para estudar. Daí a necessidade de consideramos o aspecto social da deficiência na reflexão em sala de aula e também como autorreflexão: como os professores pensam a educação do aluno com deficiência? E como trabalhamos essa inclusão com nossos alunos?

No reinício das aulas, no começo do ano, é possível que alguns profissionais recebam alunos “especiais”. Mas o que fazer quando recebo um aluno com deficiência em uma turma?

Primeiramente o professor deve receber esse aluno como outro qualquer, sem estigmatizá-lo.

Em seguida, vale a pena conferir se a Secretaria de Educação a qual o Colégio em que você trabalha está vinculado é uma das que já colocou em prática a obrigatoriedade da redução de alunos em classes que tenham crianças com NEE (necessidades educacionais especiais). Nesse caso, a lista de chamada pode ter cinco alunos a menos.

É também importante solicitar uma assistente (ou estagiária de inclusão).

Cada deficiência apresenta suas especificidades, por isso, ao receber seu aluno com NEE, vale a pena investigar e conhecer um pouco mais sobre as características do aluno e de suas possíveis limitações (conforme texto sobre planejamento anual, essa abordagem de conhecer cada aluno e suas individualidades deve acontecer com todos os alunos da turma).

Alunos com deficiência intelectual, por exemplo, costumam ser mais lentos do que o dos colegas em geral. No entanto, isso não impede que as atividades propostas sejam igualmente desafiadoras. Assim como para todos os alunos, quanto mais chances a criança tiver de explorar o ambiente, os objetos e conhecer os hábitos e tradições do grupo em que vive, mais chances ela terá de compensar suas “desvantagens” e de desenvolver suas habilidades. Assim, é indicado que o professor promova muitas experiências para que ela vivencie situações variadas. Lembre-se de que tudo o que a criança com deficiência intelectual participa ativamente e sente em seu próprio corpo torna-se mais palpável e compreensível para ela. A repetição de atividades no dia a dia também auxilia.

Outras dificuldades que podem ser enfrentadas pelo aluno com deficiência intelectual estão relacionadas à fala. Nesse caso, é indicado utilizar placas com imagens dos objetos e palavras que indiquem ações rotineiras como comer, beber, ir ao banheiro. Isso dará mais autonomia para a criança indicar suas necessidades.

Para os professores que receberão alunos com deficiência visual, é possível investir em cheiros, texturas, sons e descrições dos objetos, pessoas e situações, o que ajudará o aluno a perceber melhor o ambiente. Normalmente, alunos com deficiência visual não têm nenhuma deficiência cognitiva, assim sem a capacidade de enxergar, ela deve ter acesso a outros modos de experimentação que a faça perceber o mundo ao redor.

A deficiência auditiva deve ser trabalhada investindo em recursos visuais e táteis e, se possível, na linguagem de libras. Isso vai auxiliar o aluno com deficiência auditiva a perceber os objetos, o ambiente e as pessoas.

Para quem tiver alunos com deficiências físicas, vale a pena investir na promoção da acessibilidade e também auxílio dos colegas para a locomoção e acesso aos ambientes.

O autismo também está bastante presente. Quando se pensa em educar alunos autistas, é imprescindível conhecer e compreender os comprometimentos peculiares cognitivos, sociais, sensoriais, assim como comportamentais que o caracterizam. Mais uma vez, é fundamental organizar e estruturar o ambiente de acordo com as suas necessidades para minimizar o efeito de seus comprometimentos e possibilitar que as informações propostas sejam apresentadas de um modo apropriado e compreensível para eles. Só assim suas aprendizagens serão efetivas.

É preciso tomar cuidado, pois existe uma diferença entre integração e inclusão. O primeiro propõe que os alunos com NEE tenham seus espaços e eventualmente convivam e compartilhem experiências com os demais. Já a inclusão propõe que alunos com necessidades especiais podem e precisam ser educados no mesmo contexto que seus colegas com desenvolvimento típico e serviços de apoio adequados.

Por isso, para garantir que os alunos de inclusão sejam, de fato, parte do grupo e tenha suas aprendizagens garantidas, é recomendado montar um caderno de registros com os avanços e as dificuldades da criança, que deve ser compartilhado em conversas periódicas com os pais ou responsáveis. Isso vai ajudá-lo a entender o ritmo do pequeno e a propor atividades adequadas para ele.