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Introdução Geral
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Violência, mediação e convivência na escola

mat5Educar e comunicar são dois atos próximos. Criada pelo americano Marshall Rosenberg, a Comunicação Não-Violenta é um processo que apoia o exercício da empatia, fundamentada na ideia de uma vida mais harmoniosa com os outros a partir do estabelecimento de relações de parceria e cooperação.

Rosenberg partiu do conceito de Ahimsa, tornado famoso por Mahatma Gandhi, baseado na ideia de que todos os seres humanos têm a capacidade da compaixão e recorrem à violência quando não percebem outro recurso, ou quando não têm suas necessidades supridas.

A ideia é criar uma cultura de expressão que resolva os conflitos, ao invés de criá-los. Assim, a CNV (comunicação não violenta) promove a escuta empática e a expressão autêntica em três âmbitos: nossa própria experiência interior, nossa relação com os outros e nossa conexão com os sistemas nos quais estamos inseridos.

Segundo o próprio DR. MARSHALL ROSENBERG: “formas culturais predominantes de nos comunicarmos, com nós mesmos e com os outros, levam-nos a entrar em choque com colegas, familiares e pessoas com opiniões ou culturas diferentes, e assim iniciar ciclos de emoções dolorosos. Eminentemente prático, o processo oferece alternativas claras aos confrontos em que ficamos presos e à lógica destrutiva da raiva, punição, vergonha e culpa. No coração da Comunicação Não-Violenta está à dinâmica que dá fundamento à cooperação – nós seres humanos agimos para atender necessidades, princípios e valores básicos e universais. Com a consciência que esta constatação nos fornece, passamos a enxergar a mensagem por trás das palavras e ações dos outros, e de nós mesmos, independente de como são comunicadas. Assim, as críticas pessoais, rótulos e julgamentos dos outros, seus atos de violência física, verbal ou social, são revelados como expressões trágicas de necessidades não atendidas. Além de uma abordagem de clareza e mediação pessoal, a CNV possibilita mudanças estruturais no modo de encarar e organizar as relações humanas (gestão de grupos e organizações) e na questão da responsabilidade, diminuindo a chance de agressões ou dinâmicas de grupo opressoras”.

A CNV na Escola

A Escola é palco de diversos conflitos e necessita de mediações diariamente.

Yuri Haasz, mestre em Relações Internacionais (Concentração em Estudos de Paz e Resolução de Conflitos) afirmou que o professor que se depara com tantos desafios e conflitos em sala de aula tende a buscar a resolução dos mesmos por meio do autoritarismo como ferramenta de controle. Porém, essa atitude cada vez mais tem se demonstrado ineficaz, principalmente com a geração atual de alunos.

Assim, uma boa alternativa seria construir processos de colaboração e participação a partir da CNV como ferramenta de auxílio na resolução dos conflitos.

A CNV pode transformar o modelo punitivo das escolas ao oferecer uma base de reflexão sobre o modo como a mediação, a educação e a escola interagem.

Por isso, é preciso que escola, professores, educadores e gestores busquem:

  • Reconhecer a mediação na escola como um instrumento de transformação dos conflitos;
  • Perceber a mediação como estratégia de intervenção precoce sobre fenômenos de conflitualidade, de incivilidade e de violência;
  • Enquadrar a mediação na formação pessoal e social no domínio da resolução de problemas e da educação para os valores;
  • Motivar para a vertente transdisciplinar da gestão e mediação dos conflitos;
  • Articular os vários tipos de mediação para as crianças e jovens: a mediação escolar, a mediação socioeducativa, a mediação juvenil, a mediação familiar e a mediação comunitária;
  • Desenvolver competências básicas necessárias à gestão e mediação de conflitos;
  • Aprender técnicas para mediar conflitos e saber intervir como mediador;
  • Adquirir conhecimentos sobre a implementação e funcionamento de programas de mediação escolar e planos de convivência.

Fonte: Instituto de Mediação 5ª Edição

Então, professor, que tal inserir nas mediações em sala de aula a CNV e perceber os resultados dela, não só para resolver os conflitos, mas também para trabalhar a empatia e colocar em prática o Pilar da Educação Aprender a Ser*?

 


*Se você não conferiu a matéria sobre o Pilar da Educação Aprender a Ser, – clique aqui.